sábado, 9 de janeiro de 2010

Malandragem...

Ok... Primeiramente, este não é o tipo de post que costumo fazer... Prefiro narrativas, crônicas simples, críticas, etc. Acho que nunca me aventurei muito em textos explicativos, mas no fundo, não existe nenhum GRANDE segredo para isso ( no mínimo eu espero que não), é como em qualquer outro, as palavras vez na cabeça como um discurso e você as coloca no 'papel', faz uns ajustes e pronto, tudo resovido.

Enfim... Não vamos fugir do tema, por que hoje (e nos próximos posts se a inspiração continuar) vou explanar sobre um assunto bastante controverso: Mentira.

O que é uma mentira? Como ela pode nos afetar? Até onde é 'ético' e necessário mentir, e quando isso se torna um vício? Como se livrar de uma mentira? Como não ser pego em uma mentira? E, principalmente, como PEGAR um mentira.

E não entenda mentira (no mínimo não neste contexto) como aquelas histórias inventivas, no mínimo não somente, entenda mentira como qualquer nível de enganação, ludibriação, história inventiva, meia-verdade ou tentativa de utilizar-se de fatos/atos dúbios para obter qualquer vantagem. Qualquer dessas coisas vai se enquadrar como 'mentira' para nós.

Bem, o que tenho a dizer em princípio é que a mentira se divida , básicamente, em duas categorias:

1ª - Aquelas que são completamente inventadas.

2ª - Aquelas que são baseadas em verdades.

A primeira categoria é o tipo mais comumente chamado de 'mentira', são aquelas histórias que nunca ocorreram, fatos integralmente inventados. Este tipo de mentira é o mais sério, são mentiras como essas que retiram a credibilidade das pessoas, que ridicularizam quem é descoberto e, pricipalmente, são estas as mais dificieis de se construir (no entanto, plenamente possíveis se o interlocutor tiver talento).

Não vou me ater muito a este tipo, não é um artifício que alguém deva se orgulhar muito de usar, inventar histórias pode ser algo extremamente viciante, e sempre existe o perigo de que, para corroboar uma invenção, você precise inventar cada vez mais. Mentir desta forma é como uma grande bola de neve e, mais cedo ou mais tarde, você vai ser pego... Então, uma dica, não invente, apenas aumente.

Quanto à segunda categoria, é a mentira mais comum, aquela que usa como pano de fundo uma verdade, e então distorce os fatos reais para amoldá-los à vontade do interlecutor - é assim que chamaremos o mentiroso daqui pra frente -, é uma técninca EXTREMAMENTE difundida entre todos os seres humanos. E é exatamente por isso que vou falar sobre os místicos segredos desta arte, e explicar as 10 principais manhas usadas para enganar (e como pegar cada uma delas, se for possível).

Ahhh sim, antes de mais nada, é preciso que você saiba de uma verdade triste: TODOS MENTEM!

Sim, é triste, eu também fiquei chocado quando Dr. Hause me provou isso. Sua mãe, minha mãe, seu pai, meu pai, sua(eu) namorada(o), minha namorada, seu professor de ética - seja lá qual o curso que você faz -, seus melhores amigos, meus melhores amigos, o pastor da sua igreja ou o padre da sua paróquia... Todo mundo. Sem exceções. Somos todos mentirosos natos.

Aos que assumem, meus sinceros cumprimentos. Aos que negam... Parabéns, metir para sí mesmo é o primeiro passo rumo à perdição. E como um estudioso compulsivo do comportamento humano (principalmente dos hábitos RUINS dessa espécie tão hipócrita), encontrei 10 'constantes' na arte da enganação:

01º - Credibilidade.

02º - Álibe.

03º - modus operandi.

04º - Complexidade/Simplicidade.

05º - Culpa.

06º - Dependência.

07º - Negação.

08º - Argumentação Frágil.

09º - Medo.

10º - 


Estas dez constantes resumem tudo que precisamos saber sobre estas vís, e terríveis pessoas, sem qualquer honra e dignidade: Os Mal Carater.

Sendo assim, vou explicar cada uma das 10, para que não restem dúvidas sobre como agem os famosos Contadores de Histórias da Caroxinha, e como pegá-los NO ATO... Ou, passarmos todos nós a agirmos como eles. ; )

Com vocês, os 10 segredos da arte da MENTIRA.


1º - CREDIBILIDADE.

Pra mim, sem sombra de dúvidas, o mais relevante dos 10. Não existe - em nenhum nível - enganação se não houver credibilidade em relação à vítima, ela TEM NECESSÁRIAMENTE de acreditar que aquilo que você está falando é verdade. A credibilidade é a peça chave para que o interlocutor consiga demonstrar para a vítima que os fatos aconteceram exatamente como ele fala (e não como a amiga bisbilhoteira e invejosa dela fala), ou que a história que ele está contando é tão verdadeira e certa como 2+2 são 4.

Em termos gerais, a credibilidade é o alicerce de qualquer mentira, é ela quem vai dar base de sustentação para 'colar' o ato. E o que acontece se o alicerce é fraco? a edificação necessáriamente vai ruir. Uma mentira edificada sobre uma relação de desconfiança provavelmente será descoberta, e completamente desvendada, fazendo com que o interlocutor ganhe a famosa alcunha de MENTIROSO. Então, se for mentir, garanta que seu nome está limpo na praça e que as pessoas vitimadas confiam em você.

Em contrapartida, dar credibilidade a alguém é uma questão extremamente pessoal, creio que não existe nada que eu possa falar quanto a isso que vá ajudar a levar à cabo o meliante. A confiança é a base de TODA a relação duradoura, seja ela fraternal, conjugal, familiar... Qualquer uma. Assim, cabe à cada qual dar ou deixar de dar credibilidade aos outros. Creio que o máximo que posso fazer é advertir: Mesmo que confiemos, nunca podemos ser cegos aos sinais que exisitirem, nunca podemos confiar plenamente, e sempre temos de nos ater aos fatos e buscar a verdade deles. Por que... A verdade está lá fora!


02º - ÁLIBE

Pode ter certeza de uma coisa, este não está em 2º lugar por acaso.

O álibe é uma das mais convincentes formas de fazer com que uma mentira vire verdade. Sabe quando 'fulano' te conta uma história, e outras pessoas começam a falar que aquilo ali é realmente verdade? Pois é, 'fulano' está acobertado por um álibe. Ter um álibe é de suma importância para que a enganação seja convincente e conclusiva, saber que vão dizer que você REALMENTE estava em casa na hora do acontecido, ou que não viram você ficando com fulana ou com beltrana, mas sim sentadinho na sua mesa, ou mesmo em outro lugar completamente diferente é o que vai tranquilizar a vítima de que você está dizendo a verdade.

O álibe é funado nas palavras de uma terceira pessoa - no mínimo na maioria das vezes, existem outros álibes, fotos, gravações, tícketes de cinema, cupons fiscais de cartão de crédito... Tudo que complrove que você não estava onde disseram que você estava, ou que comprove que não fez o que disseram que você fez pode ser considerado um álibe -, que segue EXATAMENTE as mesmas regras adstritas ao interlocutor, principalmente a primeira regra, a credibilidade do álibe tem de ser válida paa que seja levada em consideração. Não adianta nada você ter como álibe aquele seu amigo fanfarrão e beberrão, que é mais prostituto que uma vadia de zona, a vítima vai desconfiar que ele NUNCA te delataria, os melhores álibes são pessoas neutras, ou que a vítima supõe que são neutras.

Uma causa válida é a compra de um álibe, o suborno é usado em larga escala para conseguir álibes, ou o silêncio de pessoas que possam desmantelar o 'esquema'.

Quanto às formas de se evitar os falsos álibes, vale o mesmo que já foi dito em relação à credibilidade do interlocutor e mais, nunca acredite em amigos dele ou amigas dela. Amigos tendem a defender os seus, tendem a ter um nível considerado de cumplicidade, o mesmo valendo para inimizades diretas, que com toda certeza vão querer ver ele se ferrar. Procure esclarecer a situação com pessoas neutras em relação ao interlocutor e à você, se necessário utilizando um ou dois subornos para respostas mais exatas.


03º - MODUS OPERANDI

Aqui entramos em uma esfera técnica da nobre arte da malandragem. Modus Operandi, é a forma usada pelo interlocutor para contar sua versão dos fatos, ou sua história. Todos nós (sem exceção) tendemos a ficar ansiosos diante da mentira e, exatamente por isso, acabamos criando algum tique relacionado a este nervisismo. Algumas pessoas desviam os olhos (por achar que se olhar nos olhos da vítima não conseguirá ser convincente), outras coçam o braço ou a nuca, algumas bocejam ou ainda riem de forma desconcertada (um sorriso amarelo e sem graça), e este é exatamente o sinal de que uma mentira está sendo contada.

O enganador nato, aquele com um 'dom especial' para a tapiagem, se diferencia dos meros amadores exatamente neste quesito. o modus operandi é uma delatação da mentira e se for percebido pode crebrar a credibilidade que a vítima deposita em você, sendo assim, é IMPORTANTÍSSIMO que este pequeno vício seja suprimido - pra não dizer completamente controlado e erradicado -, fazendo assim com que os movimentos, a fala e a segurança sejam impecáveis no momento do ato.

Eu conheço duas formas de suprimir o modus operandi, a primeira delas é conhcer a si mesmo tão bem a ponto de saber exatamente o que você faz quando utiliza-se do subterfugio da falsa lábia... No entanto, creio que este seja um modo meio 'hard' pra maioria das pessoas. Nem todo mundo se conhece, e sendo o modus um ato involuntário do cérebro (exatamente, mesmo que você não queira fazer, você VAI fazer, à não ser que você se concentre MUITO em não fazer, ou treine a si mesmo para perder o hábito), saber qual é a ação delatória se torna muito dificil. A outra forma, conciste em ver a você mesmo mentindo para então saber o que você faz e se esforçar para convencer seu cérebro de que não existe necessidade daquele movimento involuntário. Acredite... Já peguei DEZENAS de mentiras apenas observando o modus operandi dos interlocutores, é a forma mais simples de se acertar um larápio.

Aos que querem pegar um mentiroso no ato, a dica que dou é observar todos os movimentos que a outra pessoa faz, qualquer coisa que ela fale repetidamente, qualquer suspiro ou olhadela de esguelha... Qualquer sinal pode ser o modus operandi, e quando se é capaz de captá-lo é quase o mesmo que ter um radar contra mentiras, nenhuma vai passar despercebida.

Ahhhh... Já ia me esquecendo, existe ainda um terceiro tipo de modus operandi, só que este é perigoso DE MAIS, o mentiroso por excelência. Quando você encontrar uma pessoa que sequer sente-se ansiosa em contar uma mentira, enganar, tapiar ou fazer qualquer tipo de malandragem... Preocupe-se, por que você está diante de um ícone da canalhisse, e provavelmente vai ser enganado antes mesmo que possa perceber que foi.


04º - COMPLEXIDADE/SIMPLICIDADE.

Este é outro dos pontos pesados da enganação - quase uma filosofia em si mesmo -, e com certeza uma das teorias que mais ajuda a chegar próximo da mentira sem máculas. Quando contamos uma mentira, como ela deve ser? Deve ser complexa e cheia de detalhes? Deve abranger todas as possibilidades e ter uma explicação para cada uma das hipóteses possíveis dentro daquiloq ue foi falado? Ou ela deve ser simples e genérica, abrangendo apenas os pontos mais dinâmicos e importantes, deixando de lado detalhismos e explicação minimalistas, em prol de algo menos conciso porém mais fácil de sustentar?

Em que peso o respeito que tenho pelas oiniões em contrário, a mentira é algo simples, porém com um fundinho (bem lá no fundinho mesmo) de complexidade. Sendo direto, de NADA adianta criar uma versão superdetalhista e cheia de minimalismos da história, se não existe como sustentar esta segunda versão sem atravessar nelas ainda mais mentiras. Mentiras complexas (como aquels em que o interlocutor tem de criar fatos do nada) são frágeis, e fácilmente detectáveis por sempre entrecortarem-se de outras mentiras para explicar cada um dos detalhes.

Querem um exemplo disso? Ok, vamos lá...

Vamos supor... A  é namorado de B, e foi a uma festa sem que B soubesse. Nesta festa, A ficou com C, D, E e ainda transou com F. Nesta mesma festa estava E, amiga de B e que viu A fazendo toda a putaria. No dia seguinte, E conta a B que A estava na festa, e mostra uma foto dele na festa (sentado em uma mesa, SOZINHO), no mesmo instante B vai a casa de A e o encontra de ressaca - outra prova de que ele havia ido à festa - e faz as seguintes acusações: 1) Que ele foi à festa; 2) que ele ficou com MONTES E MONTES de garotas; 3) que ele foi para um motel com no mínimo uma delas.

Dentro deste contexto, A pode fazer duas coisas: 1º) Confessar tudo que fez e tentar o perdão; 2º) Mentir. Como A é um cara esperto (ou no mínimo acha que é) ele escolhe a 2ª opção, mentir. Não existe como descartar o fato de que ele foi na festa, afinal de contas, contra provas não há argumentos, réu confesso. Contra as outras acusações, se ele for minimalista e detalhista, vai ter de arrumar provas e álibes para cada um de seus argumentos, e entrecortar cada um deles com outras mentiras (como explicar o que ele fez na festa sem dizer ainda mais mentiras?). Se ele mentir de forma geral e simplificada, dizendo somente que foi à festa sim, por que os amigos chamaram e por que ele estava à muito tempo sem sair com a galera (o que no caso telado é verdade) e assumir que errou por não ter avisado (o que também é verdade), e que na festa ele apenas se divertiu com os amigos (o que também é verdade, olhando do ponto de vista do interlocutor), e que ela é a única mulher da vida dele, que é ela quem ele ama e que ele jamais faria nada para magoá-la (neste caso, contar a ela das traições... O que com certeza a deixaria chocada), não haveria necessidade de maiores mentiras, e o problema estaria resolvido com alguns álibes fortes (pessoas que estavam na festa, e que você pode colcoar no meio da discussão, e depois pagá-las para limpar sua barra dizendo que não faez nada além de zuar com os amigos).

Fim da linha. 'A' se safou do ódio de sua amada namorada apenas com meias-verdades e mentiras simples e gerais, nada muito complexo e cheio de ranhuras. O segredo está na simplicidade e, PRINCIPALEMENTE, NA CREDIBILIDADE!


05º - CULPA.

Este é um dos pontos mais simples, creio que não existe muita complexidade quando o assunto é a CULPA. Muitos confundem culpa com arrependimento, o que é um erro, são institutos COMPLETAMENTE diferente. A culpa é um sentimento de resignação pelo seus próprios atos, mas sem a vontade de mudá-los, ao contrário do arrependimento que gera a vontade de mudar aquilo que já foi feito.

A ética nos ensina que, quando agimos em desacordo com a norma social (matando, roubando, estuprando, MENTINDO), e considerando que somos pessoas em completo equilibrio psicológico e temos os valores sociais e morais da sociedade cristã ocidental, seremos acometdios de arrependimento, podemos não conseguir voltar no tempo e mudar aquilo que foi feito, mas repararemos o dano causado, e não voltaremos a cometer aquele delito moral e éticamente reprovável. O mentiroso, ao contrário do comum, não sente arrependimento, sente somente culpa.

A culpa, apesar dos efeitos de resignação pelo ato (injuriação, auto-crítica, auto-decepção, etc.), não impede que o interlocutor desfrute dos benefícios alcançados, ou que venha a repetir tal ato de forma deliberada (reincidindo assim os efeitos da culpa). Um exeplo clássico é aquele do adolescente que sempre diz "Mãe, essa foi a última vez!" e na semana seguinte chega novamente embreagado em casa.

Sendo assim, minimizar os efeitos da culpa é fundamental para uma mentira bem contada. Agir como se nada houvesse acontecido, casualidade e despreocupação são fundamentais. Qualquer traço de culpa, e uma pessoa desconfiada pode facilmente ligar os elos da corrente e descobrir a realidade sobre o mal feito (ou até mesmo descobrir o mal feito).

Do outro lado, é necessário ficar sempre atento ao síntomas da culpa e PRINCIPALMENTE à reincidência sobre aquilo que aconteceu. O arrependimento significa que a pessoa mudou, melhorou e não mentiu (por que o arrependimento implica em confissão), já o mero culpado vai se remoer apenas para não dizer que não sente pelo ocorrido, mas no fundo, ta louco pra praticar de novo.

[É... Eu adorei aqueles 12 segundos. Mas nunca teria tido eles se pudesse voltar!]




Pois é....

Eu achei que daria pra postar TUDO hoje, mas to meio sem saco pra isso, o resto fica pra outro dia.

Espero que vocês leiam (realmente espero MESMO que algumas pessoas leiam isso), e apreciem, se desconfiem e PRINCIPALMENTE... Que APRENDAM alguma coisa, e percebam que... No curso que vocês tão graduando, EU JÁ SOU REITOR!!


Enfim...


Bye Malks! ô/



;*




PS: Te adoooooooooooro minha linda!!! ^__^

sábado, 7 de novembro de 2009

Rotina... (remake)

Não me perguntem o que deu em mim hoje... Eu não sei.
Rsolvi pegar um texto antigo meu. O primeiro aqui do Blog, e reescrevê-lo.
Enfim... Acho que amadureci minha escrita... Eu gostei mais dessa versão. É mais concisa.

De qualquer modo, ta ae... 

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Quantas horas haviam passado?
Quantas vezes haviam sido daquela mesma forma?
Era mais uma manhã, de um ano qualquer... De uma década qualquer... De um século qualquer... De uma vida qualquer.
Era sempre tudo da mesma forma. O relógio marcava 6:00AM, e tocava sempre pontualmente - uma pontualidade beática, diga-se de passagem -, com o mesmo som irritante todas as manhãs. Era sempre isso. Os azuleijos azuis, a água quente e o vapor "intoxicante" misturado ao cheiro de flores silvestres e lavanda. Sempre os mesmos sabonetes. Sempre o mesmo toque das toalhas felpudas e fofas, um toque suave e gentil, que à seus olhos pareciam o esfolar de uma pedra. O espelho... Sempre a mesma imagem no espelho. E isto era tudo que havia naquela manhã, tudo exatamente como sempre fora.
Os mesmos passos rápidos e "bom dia", as mesmas discussões e falatórios. Ele foi o primeiro a sair de casa, o beijo tornara-se algo quase mecânico, apenas um pouco de sabor no fundo boca e ela se perguntou novamente onde estaria a paixão e o calor dos adolescentes. As crianças se sujavam como sempre, e aquele "tchau" sem vida parecia não fazer a menor diferença para ela, eles eram parte dela, parte de sua vida, de sua história, de suas conquistas e "felicidades". Mas sempre havia espaço para a pergunta... "Até onde conhece seus filhos?".
Eram tantas atividades, sempe tão ocupados com seus afazeres que ela mal via as crianças e quando em casa,haviam se tornado escravos do progresso, entregando suas vidas a computadores e televisões, mas estes, apenas faziam bem o seu trabalho.
O latido do cachorro - que já fora alto e intenso - não passava de um som distânte, profundo, opaco. Já não tinha mais o condão de encomodá-la, afinal de contas, ele sempre latia... Todas as manhãs. Ela sempre ouvia... Todas as manhãs, enquanto todos estavam indo para suas atividades, deixando-a com as dela.
Ela ficou ainda por muito tempo parada na porta de sua casa. Ela podia ouvir a torneira gotejando vagarosa e incessantemente, o apitar da chaleira e lembrava-se que ganhara ela de presente de casamento... Alguma tia distante provavelmente. O som da TV ligada na sala também podia ser ouvido, e ela sabia que os jornais daquela manhã davam todo tipo de notícias sobre barbáries e violência... Era assim todas as manhãs. Então, por um momento ela se lembrou do programa de receitas que tinha por costumo assistir e no momento seguinte, já não se lembrava dele mais.
Tudo aquilo era tão comum. Tão comum, que ela jamais havia se dado conta do que se passava ali. Cada uma das coisas ali estava sempre como ela havia deixado. As flores - de um amarelo morto que ficavam sobre a mesa - tão artificiais quanto qualquer outra coisa dentro daquela casa, os copos e os cristais finamente arrumados e que brilhavam todas as vezes que o sol refletia-se sobre eles. Tudo muito bem organizado, tanto, quanto a sua própria mente. A cortina finamente enlaça, tanto quanto era finamente enlaçado seu penteado.
Tudo aquilo era sempre tão normal...
Tudo aquilo era sempre tão banal...
Ela podia sentir a estranheza. Não haviam mais dias ensolarados e crianças correndo no quintar. Não haviam mais noites frias com chocolate quente e carinho aconchegante. Não havia mais família. Não havia mais casamento. NÃO HAVIA MAIS VIDA!
Tudo estava sempre da mesma forma...
SEMPRE!
Tudo estava SEMPRE na mesma rotina!

PS: O Original é o primeiro texto do blog, se não conhece...

Ta ae

domingo, 25 de outubro de 2009

Viajem...

...

"And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
A hand-me-down dress from who knows where
To all tomorrow's parties
And where will she go, and what shall she do
When midnight comes around
She'll turn once more to Sunday's clown and cry behind the door"

...

Onde estava mesmo?

Qual era mesmo o problema?

Justine dificilmente se lembrava mesmo de quem era, e dificilmente se lembraria de que foi na noite anterior. Seus cabelos pendiam jogados para trás, em uma estranha e desconexa dança embalada por um vento quase inexistente. Justine sentia-se feliz. Era o centro das atenções, e sabia que isso era o que realmente valia à pena. Sentia-se a maior das rainhas, a mais poderosa das santas e a mais perversa das meretrizes. Sentia que poderia chegar a qualquer lugar. Sentia seus cabelos dançarem à valsa leve da brisa.

...

"And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
Why silks and linens of yesterday's gowns
To all tomorrow's parties
And what will she do with Thursday's rags
When Monday comes around
She'll turn once more to Sunday's clown and cry behind the door"

...

Justine.

Ela ouvia seu nome ser chamado. Ouvia seu nome ser clamado. Ouvia cada um de seus súditos delirando com sua performance. Justine, a poderosa. Justina, a Magnífica. Justine, a Deusa. Ela girava e girava... Cada vez mais veloz, e seus cabelos rodopiavam como em um frenesi inumano, algo que sequer podia ser compreendido de tão belo, mas que de tão selvagem prendia cada um dos olhares no salão. Justine sentia-se desejada, sentia-se uma musa que inspirava canções e poemas, sentia-se uma diva de gostos refinados. Sentia os toques atrvidos e os carinhos maliciosos.

Ahhh Justine... - Pensava de sí própria - Ahhhh Justine.

...

"And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
For Thursday's child is Sunday's clown
For whom none will go mourning"

...

Ela perdia-se  em seus devaneios mais promíscuos, em seus sonhos mais carinhosos e desejaveis. Justine era a dona da noite, uma senhora de fortunas e gostos. Todos veneravam Justine. Todos amavam Justine. Todos queriam Justine. Tudo era Justine. Tudo para Justine... Ahhhh Justine. 

Ahhhh Justine...

Ahhhh Justine...

Justine...

Justine...

Jus...

Jus...

E na machete do dia seguinte, estava Justine...

"Garota de 22 anos, filha de proeminente empresário britâncio é encontrada Morta na Sunset com a Goles. Médicos atestam overdose de entorpecentes".

...

"A blackened shroud
A hand-me-down gown
Of rags and silks - a costume
Fit for one who sits and cries
For all tomorrow's parties"

...

....

.....

......

FIM!

-Música: "Velvet Underground - All Tomorrow's Parties"

( http://letras.terra.com.br/velvet-underground/41687/traducao.html )

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Tirando a Poeira...

É... Eu acho que ta mesmo cheio de poeira.
Mais de 3 meses sem uma palavra sequer, sem um cobre buraco... Nada.
Acho que perdi o "tesão" pela escrita, ou talvez apenas não tenha mais sentido a inspiração que já tive outrora. As coisas vêm a mente, mas sempre muito rápido para que meus dedos possam grafá-las. Minha mente trabalha mais rápido que o resto consegue acompanhar. E eu juro... Odeio isso.
Mas já que estou aqui, por que não falar sobre algo?
Não pode ser tão complicado assim.
A vida é engraçada... MUITO engraçada. No mínimo eu acho.
Você tem uma vida tranquila, tem uma vida que muitos invejam e querem para si próprios, tem uma vida que a cada dia se consolida mais. Mas então... Tudo vai por água baixo, sabe-se deus lá por que. Então, você está aqui, sem nada do que tinha, e começa a pensar sobre o que poderia ter sido se nunca houvesse se demitido, se não houvesse fugido, se nunca tivesse traído. E você está à beira de ficar maluco com isso, a beira de um colapso, e parece que nada pode dar certo de novo, tudo parece que vai desmoronar e esmagar você. Você é a pessoa mais miserável do mundo, o pior dos diabos.
Heh... Jà sentiu-se assim? Se já, você sabe (ou não) de uma coisa: "A vida vai melhorando, e tudo vai passando... Um dia, as coisas voltam ao normal."
Tudo sempre volta ao normal.
O mundo para de girar ao contrário, o peso vai embora, a tristeza desaparece, a culpa se torna apenas uma manchinha no passado, que o tempo pode nunca apagar, mas faz questão de deixar para trás. Tudo passa... TUDO!
E uma carta é sempre bem vinda pra mostrar que a vida vai andando e se acertando como dá pra se acertar. E que tudo um dia vai melhorar e voltar "a ser como antes", por que ninguém se exime de ser feliz quando o momento de ser feliz chegar.
"A vida vai melhorando, e tudo vai passando... Um dia, as coisas voltam ao normal."
Tudo passa... TUDO!!
E aqui... Uma carta sobre um futuro que nunca existiu, e um presente que ainda é.
P.S: I LOVE YOU
(Nellie McKay)

Dear, I thought I'd drop a line.
The weather's cool. The folks are fine.
I'm in bed each night at nine.
P.S. I love you.

Yesterday we had some rain,
but all in all I can't complain.
Was it dusty on the train?
P.S. I love you.

Write to the Browns just as soon as you're able.
They came around to call.
I burned a hole in the dining room table.
And let me see, I guess that's all.

Nothin' else for me to say,
and so I'll close. Oh, by the way,
everybody's thinkin' of you.
P.S. I love you.

I do my best to obey all your wishes.
I put a sign up. Think
now I got to buy us a new set of dishes,
or wash the ones that have piled in the sink.

Nothing else to tell you, dear.
Except, each day feels like a year.
Every night I'm dreamin' of you.
P.S. I love you.
P.S. I love you.
Bye!
:*********
PS: Tradução:

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Foco...

Ele reteseou-se novamente enquanto divagava.
Seu olhar perdido em algum ponto no horizonte, parecia buscar algo. Foco.
Essa palavra, girava a cada segundo em sua mente, muito provavelmente longe do próprio sentido. Foco.
Quanto tempo teria ficado focado em algo à ponto de estar em sintonia com aquilo, parte harmônica do todo em que se integrava, se construía. Riu de si mesmo por estar pensando nisso.
Seus olhos se delongaram um pouco mais naquele pontos, as curvas dela tinham um sabor aos olhos que fazia com que prendesse sua atenção, até mesmo, mais do que gostaria. Foco, se lembrou. Resolveu que focaria-se naquilo. Se lembrava com perfeição de detalhes de cada uma daquelas curvas. Podia se lembrar mesmo dos toques, de cada uma das sensações, do respirar... Irritou-se.
Se perguntou mais de uma vez para onde havia ido seu foco, e reteseou os músculos das costas, em um esgar, afim de espantar qualquer pensamento. Mente limpa. Mente vazia. Mas eles ainda vinham em torrentes, inundavam-lhe a visão mesmo de olhos fechados. Irritou-se ainda mais, deixou de olhar. Se concentrou. Foco... Uma folha.
Mente limpa. Mente vazia.
Uma vida inteira - começou -, pensamentos profundos, intrínsecos, que algumas pessoas até mesmo diriam, filosóficos, absurdos, dementes. Um único momento era o suficiente. Tanta pseudo-genialidade apenas o irritava cada vez mais, começou a protestar por ignorância, quando lembrou-se de que não seria ouvido. Queria apreciar aquelas curvas com outros olhos, olhos mortais, sem se lembrar de tantas outras coi... Foco!
Riu novamente.
Os movimentos bruscos ainda eram os mesmos, e tornavam-se vivos, quase uma sequência de obras capitâneas, rubras e escarlate. Eram exatamente assim em sua imaginação, e ele mesmo sem saber, procurava nela um olhar, de soslaio que fosse, para acalentar seu desejo de SER, de TER. Imaginou o quanto era patético. Tentava divagar aquilo que enxergava ao seu redor. Conhecidos, colegas, rostos sem face. Caminhavam até ele, conversavam com ele amenidades, enquanto sua mente passava a deliciar-se em lembranças luxuriantes. Foco. Exatamente.
Divagou um pouco mais longe, e pensou, por um instante, ter visto um olhar de esguelha para si. O formigar na virilha lhe dizia bem onde havia foco, e a cada pulsar de peito fazia com que a idéia lasciva se tornasse ainda mais adorável. Sentiu um vento quente passando, e fechou os olhos por não mais do que um único segundo, sentindo também um toque leve em seu ombro. Espanto. Tentou imaginar o quanto tempo levara aquele único segundo, uma distração milenar, que fizera com que sequer notasse a aproximação. E cada pulsar, ribombava, como tambores antigos. Sentiu o peito apertar-se por um instante, o próprio êxtase do momento, contido em cada célula de seu corpo. Ela olhava-o. E talvez fosse algo corriqueiro, quase comum, mas de forma alguma banal. Sentou-se em seu colo. Normalidade. Os braços envoltos em seu pescoço, os seios levemente pressionados contra seu próprio peito, o mesmo sorriso de tantas outras vezes...
Ele olhou para ela mais uma vez, sem conseguir perceber nenhum olhar de volta, e naquele instante, não existia foco.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

SE LA PEST!

Um VIVA ao FODA-SE!!!!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Uma Questão de Negócios (Capítulo II)

Seus passos eram leves, porém ritmados e rápidos, quase imperceptíveis na escuridão daquela noite, o vento zunia por seus ouvidos, fazendo com que seus cabelos opacamente dourados se tornassem uma profusão de fios longos e esvoaçantes, muitas vezes chicoteando sua pele já empalidecida pelas rajadas frias que sopravam através da rua. Aquela noite estava particularmente fria. A rua praticamente vazia abrigava pouquíssimos mendigos que, àquela hora, se amontoavam nos cantos aquecidos por cobertores velhos. Ela era larga e escura, o que o deixava o jovem rapaz bastante tenso. Seus olhos perscrutaram cada canto de uma das esquinas, e cada uma das várias janelas nos prédios vizinhos, as sombras pareciam esconder segredos a muito esquecidos e aprisionar medos escondidos em cada uma das ranhuras, que o fazia pensar que a própria rua poderia ter olhos que o observavam não importando o lugar para onde ia. Por um instante o jovem parou. Pareceu a ele uma eternidade, que se estendera ardilosamente enquanto olhava de soslaio para os lados em busca de um motivo para sua inquietação. Suspirou de forma profunda retomando os passos rápidos, tentava deixar para trás toda a pressão que lhe apertava profundamente o peito, e uma nova lufada fria de vento chicoteou-lhe o rosto.

A escuridão da noite parecia se intensificar a cada passo, tornando-se por muito pouco palpável. O jovem agora andava tão rápido, que parecia querer saltar de uma só vez e correr todo o caminho restante, seus olhos estavam semi-serrados, e sua boca murmurava algo incompreensível. A rua parecia se desdobrar cada vez mais, e ele imaginou se teria realmente um fim.

Um grande prédio residencial começou a aparecer do meio da escuridão na esquina de um cruzamento, devia ter não mais do que sete andares e sua fachada era de uma cor próxima ao marrom, bastante esgarçada pelo tempo. Suas varias janelas estavam fechadas, salvo por uma, que balançava uma cortina vermelha para fora ao sabor do vento. Ele olhou para cima, seus olhos azuis brilhavam de uma forma estranha, e pareciam dar outra vida ao seu rosto. Um frio subiu por sua espinha, e a tensão voltou a marcar-lhe. Naquele momento, parecia não ter mais de 25 anos.

As escadas que levavam ao Hall eram feitas de pedra, com bastante lodo em suas rachaduras, o velho corrimão de ferro estava parcialmente solto denotando sinal dos vários atos de vandalismo que sofrera nos últimos anos, a porta já se encontrava semi-aberta, e não parecia haver qualquer sinal de vigia ou qualquer outra pessoa ali dentro. Dentro do Hall, estava escuro, não havendo qualquer luz diversa da que vinha da rua, pelo pequeno espaço que sobrara na porta já semi-aberta. Não havia muito ali, uma bancada antiga feita em madeira sinalizava o lugar onde um vigia ou porteiro já deveria ter trabalhado anos atrás, o carpete estava roço e os passos do jovem rapaz faziam levantar finas camadas de poeira. No outro lado da pequena saleta de entrada, uma escada levava até os andares superiores, ela estava bem escondida pelas sombras, mas ele sabia que ela estava lá, podia nunca ter estado naquele lugar antes, mas podia sentir cada pedacinho daquele local. O apartamento que procurava ficava no terceiro andar, ele parou por um instante ao pé das escadas, antes mesmo que pudesse encostar seu pé ao primeiro dos degraus, fechou os olhos por um instante, sentia algo estranho, havia algo ali que parecia sufocá-lo. Tentou se controlar por um instante, absorver toda a tensão que lhe tirava a calma, moveu seus lábios novamente em algum tipo de prece silenciosa, e por fim, tomando fôlego em um suspirar profundo, começou a subir as escadas. Cada degrau rangia de forma particularmente alta quando era pisado, e davam à impressão de que romperiam a qualquer momento. O terceiro andar era nada mais que um longo corredor com inúmeras portas. Ele parou novamente, agora no topo da escada, seu coração batia freneticamente, e uma tensão ainda maior tomou conta de sua mente, como se vários antigos desejos emanassem daquele lugar, seu semblante parecia duro, pesado e abatido. Tomou um pouco mais de ar uma última vez e sem sequer abrir os olhos recomeçou a caminhar. Passo a passo sabia que ganhava o corredor em direção à última porta daquele corredor, começava a acelerar seus passos, quando uma voz lhe fez parar abruptamente.
- A festa não começou? Ótimo! Odiaria estar atrasado.