terça-feira, 30 de outubro de 2007

Coisas...

Ele simplesmente queria sair dali.
A música estava alta, e ressoava por muitos quarteirões longe dali, era uma música agitada e fazia com que as pessoas se sentissem desinibidas, até mesmo a garotinha acima do peso e a senhora de mais idade balançavam os quadris desajeitados à aquele som contagiante. Os pensamentos desorganizavam-se dentro da sua cabeça, eles eram levados pela torrente de barulho e talvez pelas luzes piscantes que só ele podia ver ali, eram luzes coloridas e cheias de uma vida morta, ou talvez fosse uma morte viva, ele não conseguia entender exatamente o que era. A primeira passou, e a segunda e a terceira, e todas aquelas que insistiam que ele tinha realmente de sair daquele cantinho, e ele cada vez mais se diminuía na parede, era uma sensação estranha, ter a atenção e simplesmente nega-la, e ele se lembrava de como era não ter a atenção e desesperadamente pedi-la

Ele simplesmente queria sair dali.
Tudo estava turvo de mais e tudo era estranho de mais. Será que era aquilo que significava estar "dentro da moda"? Ele não sabia exatamente como deveria agir, suas mãos se agitavam e tentavam não se prender a lugar algum, ele tentava não pensar de mais, como se fosse possível pensar de qualquer maneira ali dentro, mas ainda sim ele tentava não pensar. E as coisas simplesmente fluíam como se carregado por cordas que faziam com que seu corpo se movimentasse, era uma coisa louca, ele sabia, era uma coisa estranha, e ele sentia o gosto amargo da estranheza. Se lembrou por um momento das partidas de futebol de botão que tinha jogado com seu avô ainda naquela tarde, e elas pareciam extremamente distantes daquela realidade, pareciam coisas pequenas perto de toda aquela loucura. Ela passou e sorriu, ela passou e ele nem sequer sabia como retribuir, ela passou e esqueceu de se apresentar, mas simplesmente passou, e sorriu.

Ele simplesmente queria sair dali.
Sua cabeça girava e girava, como uma grande roda gigante, dessas que se tem em parques de diversão, e talvez fosse assim que ele houvesse imaginado, como nos filmes que ele via com sua pequena irmã nos fins de semana. Talvez fosse exatamente assim que ele houvesse imaginado que as coisas eram, com rodas gigantes e grandes pedações de algodão doce, com risadas inocentes e um por do sol ao lado de um lago cristalino, talvez fosse exatamente assim que ele gostaria que tivesse sido, e tudo parecia que iria cair na sua cabeça, ele ouvia os gritos e as risadas, ele podia sentir o calor que os corpos próximos emitiam, e ele podia ver que as pessoas simplesmente adoravam aquilo, e as luzes deixavam tudo ainda mais louco, tudo ainda mais delirante. Ele sentia o mundo rodar, sentia que tudo estava descolando da realidade, e então ela passou novamente, e passou sorrindo, "as coisas deveriam mesmo ser daquele jeito" pensou ele, e ela estava passando quando ele estava bem na frente, e ela continuava sorrindo, e ele meio sem como saber simplesmente deixou ela passando e sorrindo, e ela passou, sorrindo... E ele simplesmente queria sair dali!

2 comentários:

D_Hunter disse...

Rapazinho triste e carente, coitado.... até parece uma criancinha minúscula e indefesa (que aliás e TUDO O QUE ELE NÃO É!)

parabéns norgrande... ficou ótimo o texto... e tá permitido q sempre q postar, mandar o mail falando...

abração mano...

Thigão, o Anão Negão

Unknown disse...

O cara da foto parece o Kuwabara...

'-'

Alex - Kbssauuum