quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Uma Questão de Negócios (Capítulo II)
A escuridão da noite parecia se intensificar a cada passo, tornando-se por muito pouco palpável. O jovem agora andava tão rápido, que parecia querer saltar de uma só vez e correr todo o caminho restante, seus olhos estavam semi-serrados, e sua boca murmurava algo incompreensível. A rua parecia se desdobrar cada vez mais, e ele imaginou se teria realmente um fim.
Um grande prédio residencial começou a aparecer do meio da escuridão na esquina de um cruzamento, devia ter não mais do que sete andares e sua fachada era de uma cor próxima ao marrom, bastante esgarçada pelo tempo. Suas varias janelas estavam fechadas, salvo por uma, que balançava uma cortina vermelha para fora ao sabor do vento. Ele olhou para cima, seus olhos azuis brilhavam de uma forma estranha, e pareciam dar outra vida ao seu rosto. Um frio subiu por sua espinha, e a tensão voltou a marcar-lhe. Naquele momento, parecia não ter mais de 25 anos.
As escadas que levavam ao Hall eram feitas de pedra, com bastante lodo em suas rachaduras, o velho corrimão de ferro estava parcialmente solto denotando sinal dos vários atos de vandalismo que sofrera nos últimos anos, a porta já se encontrava semi-aberta, e não parecia haver qualquer sinal de vigia ou qualquer outra pessoa ali dentro. Dentro do Hall, estava escuro, não havendo qualquer luz diversa da que vinha da rua, pelo pequeno espaço que sobrara na porta já semi-aberta. Não havia muito ali, uma bancada antiga feita em madeira sinalizava o lugar onde um vigia ou porteiro já deveria ter trabalhado anos atrás, o carpete estava roço e os passos do jovem rapaz faziam levantar finas camadas de poeira. No outro lado da pequena saleta de entrada, uma escada levava até os andares superiores, ela estava bem escondida pelas sombras, mas ele sabia que ela estava lá, podia nunca ter estado naquele lugar antes, mas podia sentir cada pedacinho daquele local. O apartamento que procurava ficava no terceiro andar, ele parou por um instante ao pé das escadas, antes mesmo que pudesse encostar seu pé ao primeiro dos degraus, fechou os olhos por um instante, sentia algo estranho, havia algo ali que parecia sufocá-lo. Tentou se controlar por um instante, absorver toda a tensão que lhe tirava a calma, moveu seus lábios novamente em algum tipo de prece silenciosa, e por fim, tomando fôlego em um suspirar profundo, começou a subir as escadas. Cada degrau rangia de forma particularmente alta quando era pisado, e davam à impressão de que romperiam a qualquer momento. O terceiro andar era nada mais que um longo corredor com inúmeras portas. Ele parou novamente, agora no topo da escada, seu coração batia freneticamente, e uma tensão ainda maior tomou conta de sua mente, como se vários antigos desejos emanassem daquele lugar, seu semblante parecia duro, pesado e abatido. Tomou um pouco mais de ar uma última vez e sem sequer abrir os olhos recomeçou a caminhar. Passo a passo sabia que ganhava o corredor em direção à última porta daquele corredor, começava a acelerar seus passos, quando uma voz lhe fez parar abruptamente.
- A festa não começou? Ótimo! Odiaria estar atrasado.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Interludio...
Sei lá... Acho que só to colocando isso aqui pra não deixar passar tanto tempo em branco.
Enfim, ta ai...
If I Ever Leave This World Alive
Composição: Flogging Molly
If I ever leave this world alive
I`ll thank ya for the things you did in my life
If I ever leave this world alive
I`ll come back down and sit beside your feet tonight
Where ever I am you`ll always be
More than just a memory
If I ever leave this world alive
If I ever leave this world alive
I`ll take on all the sadness
That I left behind
If I ever leave this world alive
The madness that you feel will soon subside
So in a word don`t shed a tear
I`ll be here when it all gets weird
If I ever leave this world alive
So when in doubt just call my name
Just before you go insane
If I ever leave this world
Hey I may never leave this world
But if I ever leave this world alive
She says I`m okay; I`m all right,
Though you have gone from my life
You said that it would
Now everything should be alright
She says I`m okay; I`m all right,
Though you have gone from my life
You said that it would
Now everything should be alright
Yeah should be alright
*******************~[TRADUÇÃO]~*******************
Se um dia eu deixar este mundo vivo
Composição: Flogging Molly
Se um dia eu deixar este mundo vivo
Eu lhe agradecerei pelas coisas que fez em minha vida
Se um dia eu deixar este mundo vivo
Eu voltarei e sentarei ao seu lado esta noite
Não importa onde eu estiver, você será sempre mais que uma memória
Se um dia eu deixar este mundo vivo
Se um dia eu deixar este mundo vivo
Vou superar toda a tristeza que deixei para trás
Se um dia eu deixar este mundo vivo
Sua loucura logo desaparecerá
Tanto que palavras não derramarão lágrimas
Eu estarei aqui quando as coisas ficarem estranhas
Se um dia eu deixar este mundo vivo
Então, quando estiver em dúvida, me chame
Antes que você vá à loucura
Se um dia eu deixar este mundo
Hey, eu posso nunca deixar esse mundo
Mas se um dia eu deixar este mundo vivo
Ela diz estou okay, estou bem
Mas você se foi da minha vida
Você disse que isso aconteceria
Agora tudo vai ficar bem
Ela diz estou okay, estou bem
Mas você se foi da minha vida
Você disse que isso aconteceria
Agora tudo vai ficar bem
Sim, vai ficar bem
PS: Eu não costumo fazer isso... "FALTA DE IMAGINAÇÃO 10 x 0 NORMANDO"
;*
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Uma Questão de Negócios (Capítulo I)
A noite já havia caído, Edu olhava pela janela de seu apartamento, o olhar distante. Quando criança costumava fazer isso, olhava para as infinitas luzes que pairavam por todo horizonte da cidade, costumava ficar ali durante horas, apenas observando aquelas luzes. Perdera as contas de quantas foram às vezes em que, imerso em seus próprios pensamentos, sequer via que as luzes aos poucos se apagavam, deixando em seu lugar uma imensa e vazia escuridão. Ele estranhara a diferença, nunca havia percebido até aquele momento.
A luz da lua entrava de forma tênue no apartamento, iluminando apenas o necessário para que fosse possível andar por lá sem que esbarrasse em nada. O apartamento sempre fora bastante espaçoso, tendo em vista ter morado tanto tempo sozinho, sim, para apenas uma pessoa aquele apartamento era realmente espaçoso. Logo na entrada havia uma espaçosa sala retangular, suas paredes eram de uma cor creme, apesar de seus constantes protestos contra a cor nunca tivera oportunidade ou mesmo vontade de pintá-las de qualquer outra que fosse. A única janela, na qual se encontrava parado, estava na extremidade mais ao canto da sala, ela costumava ser maior nas lembranças infantis que mantinha em sua mente. Havia dois sofás dispostos simetricamente atrás dele, um imediatamente atrás enquanto o outro se encontrava ao fundo no lado oposto da sala, eram sofás de camurça pretos com três lugares, vários detalhes em madeira podiam ser vistos nos braços, pés e cabeceira dos sofás, eram peças antigas, mas ele nunca soubera exatamente de onde teriam vindo, preferindo imaginar histórias fantásticas sobre os intrincados símbolos gravados. Uma pequena mesa redonda estava ao lado do sofá mais próximo, não mais do que uma mesa para pequenos adornos e sobre ela um vaso com varias rosas vermelhas, a maioria já murcha e sem cor na verdade. No canto direito da sala quase em frente à pequenina mesa redonda uma televisão desligada se enchia de poeira pelo tempo que se encontrava ali sem ser ligada, ou sem que qualquer pessoa sequer notasse que ali estava. A porta da sala ficava no lado oposto à janela, próximo ao outro sofá. Era uma porta bem trabalhada, em estilo vitoriano com maçanetas adornadas, e estranhos símbolos em toda a sua extensão, assim como nos sofás Edu nunca soube exatamente o que significavam aqueles símbolos, mas quando criança gostava de imaginar que, ao passar pela porta se concentrando nos símbolos entraria em um mundo mágico. Como fora tolo quando era criança. Próximo à porta, não mais do que dois metros, se encontrava um corredor escuro que levava aos aposentos pessoas do apartamento.
O silêncio pairava pelo apartamento e era, naquele momento, quase absoluto, sendo quebrado apenas por um irritante e contínuo barulho, algo como uma goteira, uma torneira mal fechada imaginou o próprio Edu em uma das vezes que sua consciência foi trazida de volta à realidade. O barulho parecia, em suma, não incomodá-lo, ele continuava a olhar fixamente para o profundo horizonte, seus olhos castanho-claro estavam vidrados naquela imensidão como se ele buscasse as respostas de todas as suas perguntas naquelas infinitas luzes. O vento soprava com certa força batendo nas cortinas vermelhas aveludadas, fazendo-as balançar de forma singular e dando ao ambiente um aspecto de ainda mais vazio.
O olhar de Edu começou a dançar do horizonte distante que ele contemplava até à cidade logo abaixo e, em fim, para dentro da sala em que se encontrava. Provavelmente, pensou ele em um devaneio quase sensível, aquela seria a ultima vez em que estaria contemplando aquele horizonte, a última vez em que veria aquelas paredes. Tantos momentos, tantas lembranças chegavam à sua mente a cada segundo que ficava até mesmo difícil não mistura-las, risos se perdiam pelo ar e vozes sem tom se dissipavam pelos quartos e corredores, tudo já havia sido diferente e agora... Tudo estava quieto.
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terça-feira, 15 de abril de 2008
Fidelidade...
O vinho sobre a mesa já havia perdido a mágica em seu sabor e provavelmente se tornara apenas mais uma embriagante bebida alcoólica, um genuíno Aloxe Corton, ótima safra, 1929, com certeza uma das melhores que já havia sido engarrafada. Mesmo assim, mesmo sendo um vinho de tão boa qualidade e de paladar tão refinado ele o bebia, gole após gole, com um vigor muito maior do que possivelmente deveria. Parecia realmente não passar de mais um motivo para ele.
O cigarro queimava-se sozinho, devagar, como se traga-lo fosse algo trivial de mais para se fazer, como se o simples fato de estar aceso já tirasse de dentro dele a ansiedade causada por tudo aquilo. Havia se tornado um rito lento, onde apenas o ar frio fazia com que ele queimasse, enchendo o ar com sua característica fumaça, que inacreditavelmente, parecia não ter o poder de irritá-lo, como de costume. A luz fraca tornava cada uma das formas naquele quarto etérea, mas isso não era importante, ele as conhecia, havia estado ali uma infinidade de vezes e conhecia cada uma delas de maneira quase íntima. Cada uma daquelas formas flutuava, entrando e saindo esporadicamente em neblinas e rodas de ciranda. O álcool provavelmente estaria fazendo efeito.
Mesmo com a janela fechada o frio conseguia penetrar no quarto, não que ele efetivamente se importasse, e apesar da pouca roupa que trajava, mas era a sensação de frio o mantinha acordado, um pequeno incomodo para estimular o corpo, o frio o mantinha desperto. O barulho da chuva batendo na janela era hipnótico, e se misturava com a música de forma tal, que pareciam uma só sinfonia. Parecia sempre estar chovendo nesta época, parecia sempre chover quando estava ali. Aquelas noites o incomodava, talvez se fosse possível não procura-las mais, mas alguma coisa o levava até aquele lugar, e, por mais que seu próprio cinismo o deixasse à mercê de uma dúvida, ele tinha plena ciência de seus motivos. Seu falso convencimento dizia a si mesmo “É comum!”.
O ranger da cama o fez voltar à realidade, ela não estava mais do que dois metros da poltrona e ele sequer conseguia vê-la, ou talvez simplesmente não sentisse mais vontade de olhar para lá. O cheiro do perfume ainda se alastrava pelo ar, mesmo sob a densa fumaça do cigarro que queimava em sua mão, ele parou um instante, havia perdido a conta de quantos, e também não se importava mais, a ocasião não permitia. Sua mente viajou novamente até o perfume, era adocicado, muito provavelmente até de mais para seu próprio gosto, mas plenamente aturável no início da noite. O cigarro talvez tornasse aquele cheiro menos acentuado, era por isso que fumava, tragou mais uma vez, fazendo com que uma nuvem de fumaça fosse de encontro com que o que poderia ser o limiar do adocicado perfume. Sim, isso, mais uma vez o cinismo o salvara de questionamentos mais profundos, e ele tinha plena certeza disto.
O fino respingar que ainda batia à janela, e o incansável som dos violinos tragaram-no novamente para pensamentos profundos, questionamentos que muitas vezes ele nem mesmo se dava ao luxo de tentar descobrir. Sua mente divagou. Como havia começado com tudo aquilo? Sua inocência havia sido tamanha, que ele suspirou uma vez mais, e sorveu outro gole de vinho. Havia sido inocente e deixara se levar por um instinto infantil, uma vontade imatura, no entanto, irremediavelmente, prazerosa.
Como pudera ser tão... Tão... Não havia como descrever, talvez a melhor de todas as palavras fosse hipócrita. Deixara tudo para trás, deixara tudo de lado apenas para sentir aquela velha sensação que buscara por tanto tempo, aquele “frio na barriga” que os jovens ainda falam em suas inúteis adolescências. Uma risada mais alta, e sua mente de voltara à realidade. Ele percebeu que estava fazendo mais barulho do que costumava fazer quando imerso em seus sonoros pensamentos. Um instante de silêncio a mais, onde os violinos e a chuva se desdobravam em sons ensurdecedores, apenas um instante de silêncio a mais e sua tranqüilidade poderia retornar. Seus pulmões pareciam não mais conseguir conter o ar, e sua respiração foi se soltando de forma vagarosa, no mesmo compasso em que a respiração dela ia calmamente se desfazendo.
Onde estivera mesmo?
Sim, uma inútil auto-analise de seus próprios erros, ou talvez simplesmente mais uma avaliação de como seu instinto o dominara, fazendo com que se tornasse aquilo que por tantos anos criticara. Quanto cinismo de sua parte. A embriagues começara a tornar tudo aquilo hilário demais, e ele imaginou quantas chamadas deixara de atender, havia estado ciente da grande maioria delas, e simplesmente negligenciara cada uma. Seu sorriso havia se tornado distorcido, e mais um cigarro chegava a quase queimar uma de suas mãos. A memória lhe era reavivada por ver aquela pequena luz brilhando sobre a mesa, 30 de junho, sim esta era a data de hoje, e meia-noite já havia passado muitas horas atrás. Ele se conteve por um instante, se vendo tentado, talvez seu medo fizesse com que atendesse, ou simplesmente deixasse com que esta se somasse a tantas outras que sempre acumulavam em noites como esta.
30 de Junho...
Era a primeira vez que isso acontecia dessa forma, e seu pensamento se direcionara para a pequena Liz, talvez houvesse ainda um pouco de importância naquilo tudo, neste momento parecia até mesmo plausível a idéia de que houvesse nela um sentido para todo aquele drama, sim, talvez ela fosse a resposta. Ele se afundou um pouco mais na poltrona quando ela lhe veio à mente.
30 de Junho... Tanto tempo juntos e nada mais parecia fazer sentido.
Ele se levantou, o vinho distorcera até mesmo sua coordenação, ou talvez fosse simplesmente mais uma forma de inventar desculpas para suas próprias ações. Seu caminhar até a cama foi vacilante, lembrou-se em um último momento do cheiro dos cabelos dela, era intrigante como as coisas aconteciam agora. Deitou novamente, abraçando ela como se fosse à última pessoa em que poderia fazê-lo, e desejou por mais uma vez estar novamente em casa.
quinta-feira, 6 de março de 2008
ATOS DE NECROFILIA E INSANIDADE
Quando falamos sobre distúrbios mentais ligados à sexualidade, não podemos nos esquecer que eles se dão de diferentes formas, não havendo uma ou duas delas apenas, e sim todo um conglomerado que dá forma a estas psicoses.
O instinto sexual é força dominante da natureza humana, é uma expressão designativa da ação orgânica desencadeada por automatismos profundos filogenéticos, tendo por objetivo principal, a perpetuação da espécie e, após isso nos seres dotados de maior evolução intelectual, a satisfação da posse carnal. No entanto, para uma parte dos seres humanos a conjunção carnal vai muito além do mero fato de ter-se de descarregar a tensão gerada pelo acumulo de sêmen nas vesículas seminais ou a uma infinita seriação dos seres vivos, mas, fundamentalmente, à significação da reintegração transcendental ao Princípio Divino, pelo amor, retornando num átimo, e não permanentemente, à unicidade prístina.
Estamos então, defronte a um instinto com fortes energias psíquicas, que estão intima e especialmente ligadas à volição sexual. Libido, a manifestação mental do instinto sexual.
O sexo hoje já não é mais nenhum tabu, mas sim, quando bem orientado, a simples expressão carnal de mais uma função fisiológica do organismo. No entanto, o que ocorre é a nefasta influência de uma obsessão pública pelo assunto, incrementada por uma verdadeira enxurrada de informações deseducativas que são lançadas todos os dias pelos meios de comunicação, tais como, televisão, rádio, jornais, revistas e etc, atingindo uma grande quantidade de pessoas, que se vêm frustradas com suas vidas sexuais e com sua sexualidade, a rigor, desmotivada ou reprimida, ameaçando lançar a juventude, para os infectos pântanos da imoralidade.
Os desvios de atividade sexual de um individuo, podem ser somente, expressões de outras enfermidades mentais, quando não, são fundamentados no transtorno do instinto e na definição inata do sentimento ético. Sempre quando há transtornos na vida sexual de um individuo, são estes freqüentes anomalias da sexualidade em estado latente, que quando de seus aparecimentos podem ser determinados por situações ambientais, como formas de reação ou mesmo cultura local adversa, e, também, por circunstâncias tóxicas (alcoolismo e entorpecentes), fisiológicas (puberdade e menopausa), ou patológicas (demência senil, paralisia geral progressiva, arteriosclerose generalizada).
Segundo a medicina legal, as aberrações ou perversões sexuais (distúrbios de gravidade considerável, quanto ao instinto sexual) são: A riparofilia, o triolismo, o vampirismo, o bestialismo, a nercofilia, o sadismo, o masoquismo, o sadomasoquismo, o homossexualismo.
Vamos nos ater aqui, somente à necrofilia, não adentrando de forma aprofundada em nenhuma das outras perversões sexuais.
Quando nos remetemos aos primórdios da psicoterapia, e da psicanálise temos já com Freud teses que nos dizem à respeito da necrofilia e de sua incidente ligação com os distúrbios mentais sexuais. “a necrofilia tem aos seus germes inconscientes, na experiência infantil; é o temor os cadáveres, símbolo da morte. E o amor ao ato sexual, símbolo da vida. A morte e o coito são, respectivamente, as experiências mais dolorosas e agradáveis ao homem. O necrófilo, patologicamente, guiado por suas experiências inconscientes, trata de sintetizar, em um único ato, as duas experiências supremas da espécie: o amor e a morte.”(H. salvador, Pág. 97).
Não se pode deixar de observar o fato de que, a necrofilia é uma atitude vil, que sai dos padrões de normalidade sociais em qualquer época da história que se busque. Em nenhum código, lei, ou qualquer outro instituto normativo poder-se-á ver qualquer ato desta envergadura como sendo de normalidade social, e sim ver o repúdio com o qual a sociedade trata tais atos.
Como exemplo claro da revolta social causada por tal ato temos o caso de que, em Cabo Verde uma mulher de 64 anos foi retirada do túmulo e teve seu corpo usado como instrumento sexual.
“CADÁVER DE MULHER VIOLADO NO TÚMULO: Um desconhecido ou desconhecidos violou um túmulo onde na véspera fora sepultada uma mulher de 64 anos. O desacato foi agravado com atos ultra-chocantes: o assaltante retirou a tampa do caixão e usou sexualmente o cadáver, ato monstruoso, inqualificável”. (Liberar; 25 de julho de 2005; http://www.liberal-caboverde.com/noticia.asp?idEdicao=64&id=8873&idSeccao=525&Action=noticia)
O ato supracitado causou uma completa comoção na sociedade, tendo veiculação nacional na época dos acontecimentos. Se algo é assim tão reprovável pela sociedade como um todo, não pode ser uma atitude comum aos membros da mesma, nem, de forma alguma, uma atitude que se passe despercebido, ou que até mesmo o agente sinta como se fosse normal.
Os necrófilos, contudo, mantêm preservada a capacidade de entendimento do caráter criminoso de seu ato. No entanto, pelo fato de ser sua aberração sexual tão pungente, sentem de fato uma compulsão para a satisfação de seus instintos desviados, não conseguindo determinar-se de acordo com esse entendimento.
Em seu Manual de Medicina Legal (5ª edição, pág. 684; Editora Saraiva) o conceituado mestre Delton Croce torna claro o procedimento a ser adotado:
“Em conseqüência desta diminuição de autodeterminação e concomitante preservação da capacidade de entendimento, são considerados isentos de pena, mas sujeitos ao cumprimento de medida de segurança” (RT, 594;347), nos termos o art. 386, parágrafo único, III, do código de Processo penal e 96, I, do Código Penal”.
Desta forma, não há que se falar em atos de necrofilia sem que se enseje sobre o agente de tal ato um profundo estado de perturbação sexual, caracterizando desta forma, a insanidade do agente e a necessidade de internação do mesmo para que seja-lhe aplicada medida de segurança, nos moldes dos artigos supracitados.
Normando Laube Santos, 06 de Março de 2008.
sábado, 1 de março de 2008
Vida...
Ele está batendo... Sim... Está batendo.
Eu ouvia todas as noites, quando deitava minha cabeça no travesseiro, ou quando olhava para os carros nas rodovias distantes. Milhares de vidas que se cruzavam sem nem sequer se conhecer, milhares de olhares cansados e sonhos perdidos dentro de pequenos espaços, onde sob noites estreladas, milhares de vidas vivem. E ainda sim, eu podia ouvir batendo, lenta e compassadamente, todas as vezes que uma das infinitas luzes sumia no horizonte.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Sonhos... (Parte II)
Eu estava ali, e tudo era escuro. Parecia não haver absolutamente nada ao meu redor, não havia sons ou sentimentos, não havia luzes ou cores e nenhum pensamento era capaz de se conceder ali, nada era capaz de se formar ali. Foi então que os primeiros apareceram, pequenos e sutis. Creio eu, tão pequenos, que nem sequer percebi de início, eram brancos e brilhantes, como pequenos sois. Você alguma vez já tentou olhar para o sol quando ele está bem cima de nossas cabeças? Ele não tem aquele amarelo característico, nem aquele calor brando, é branco e ofusca até mesmo os mais castigados olhos, além de seu calor escaldante. Mas enfim... Eles estavam ali, brilhando um tanto distantes de mim, como pequenos vaga-lumes. Estava frio, mas não aquele típico frio que se sente na madrugada, quando o vento entra pelas frestas da janela e faz com que acordemos de nossos reconfortantes sonhos, era um frio estático, o frio daqueles que não sentem, daqueles que não conseguem enxergar nada além da escuridão do mais profundo recanto de seus subconscientes. E foi então que começaram a se mover.
Era como estar em uma colméia de grandes abelhas luminosas, que passavam voando por mim com uma velocidade que nem mesmo a mente mais perspicaz seria capaz de atentar aos detalhes. Elas formavam arcos e círculos dançando e rodopiando à minha volta, sem música alguma para marcar-lhes os passos. E então as muitas luzes, que rodopiavam e dançavam foram parando, foram se juntando e parando, pareciam agora grandes linhas de luz, umas sobre as outras, como um novelo que se desprende e começa a fiar-se sozinho. E talvez fosse exatamente isso que ele estivesse fazendo, fiando. Tudo parecia agora uma grande colcha, uma grande malha sem profundidade alguma, e a luz aumentava cada vez mais de intensidade. Meus olhos se ofuscaram, e então, eu pude ouvir... As ondas do mar.
É estranho como isso tem acontecido... Estranho como eu tenho ouvido esse mesmo som dia após dia, noite após noite. Houve tempos em que eu conseguia ouvir o som do vento balançando as folhas das árvores, em extensas campinas de grama verde e sedosa, onde eu me deitava para contemplar as nuvens. Sim... Houveram tempos assim. Talvez tudo isso tenha um significado, ou não, tento não pensar mais tanto nisso, muitas vezes me dói faze-lo, mas creio que falarei disso depois.
Ahhh, o som do mar, nunca o havia escutado com tanta nitidez, nunca o havia sentido com tanta vibração. A luz me fizera fechar os olhos, mas eu sentia que não havia mais necessidade e mesmo assim apenas ouvia o som das ondas do mar, que quebravam próximas à praia e traziam algo que me aquecia daquele estranho frio solitário. O vento já batia em meu corpo, e deixava nele estranhas marcas que eu nunca pude ver, as areias sob meus pés pareciam um grande tapete de espuma macia e levemente aquecida, tudo ali parecia perfeito, cada sentido era capaz de distinguir a vida ali, cada sentido era capaz de fazer valer por todos os outros. E meus olhos continuavam fechados.
Eu conseguia sentir o calor se espalhando por meu corpo, eu podia até mesmo sentir a maré vermelha se aproximando, e tudo aquilo era bom de mais para que eu deixasse escapar qualquer daquelas sensações. Abri meus olhos com bastante vagareza, para que nada ali pudesse se sobrepujar sobre as outras coisas. O sol estava bem ao fundo, no oeste distante. Era um sol de calor pálido, que, no entanto, era capaz de esquentar mais que meramente o corpo. A água era límpida e suave, as ondas quebravam finas próximas a areia sedosa e fina. Tudo parecia perfeito ali. Pássaros rodeavam um céu limpo e sem nuvens, como se qualquer um conseguisse fazer aquilo, vê-los ali até conseguiu me fazer ter a vontade de sair sobrevoando os mares, e tudo que havia além deles.E então... Eu a vi.
Ela era o esplendor encarnado, posso dizer. Tinha longos cabelos que se agitavam com a brisa, e pareciam dançar e cantar sob o dourado do sol, eles brilhavam como nunca tinha visto qualquer outro brilhar, e quando calmos prostravam-se diante de seu rosto, escondendo-o e criando mil e uma máscaras, que se tornavam maravilhas diante de meus olhos. Seu corpo era esbelto e torneado, uma obra digna das mãos do mais talentoso dos artífices, seu caminhar leve contrastava-se com toda aquela imponência de seus ombros, um misto de selvagem e doce, um ar que atraia cada um dos meus pensamentos. Ela andava por sobre a areia, andava para lugar algum, distante de mim. Eu podia ver todo o horizonte além dela, e Deus do céu, como tudo aquilo era vasto. E ela tinha tudo aquilo na palma de suas mãos... Tudo parou.
Tudo parecia estático, e uma velha sensação tomou conta do meu coração. Eu tentava me prender, ao máximo, não queria sair dali, não agora que ela estava tão próxima de mim, não queria ter de ir, mas era impossível lutar contra. A escuridão foi crescendo novamente, e os sons do mar e as areias sedosas sumiram, tragadas por um rodopiar de cores e formas, que me traziam de volta ao mundo real.
Eram 3 da manhã, no mínimo assim marcava o velho relógio de cabeceira. Ele estava suado, e com a estranha sensação de dormência no corpo. Em sua mão, o aparelho continuava vazio, e cada vez mais, suas esperanças morriam.