segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sonhos... (Parte II)

Eu estava ali, e tudo era escuro. Parecia não haver absolutamente nada ao meu redor, não havia sons ou sentimentos, não havia luzes ou cores e nenhum pensamento era capaz de se conceder ali, nada era capaz de se formar ali. Foi então que os primeiros apareceram, pequenos e sutis. Creio eu, tão pequenos, que nem sequer percebi de início, eram brancos e brilhantes, como pequenos sois. Você alguma vez já tentou olhar para o sol quando ele está bem cima de nossas cabeças? Ele não tem aquele amarelo característico, nem aquele calor brando, é branco e ofusca até mesmo os mais castigados olhos, além de seu calor escaldante. Mas enfim... Eles estavam ali, brilhando um tanto distantes de mim, como pequenos vaga-lumes. Estava frio, mas não aquele típico frio que se sente na madrugada, quando o vento entra pelas frestas da janela e faz com que acordemos de nossos reconfortantes sonhos, era um frio estático, o frio daqueles que não sentem, daqueles que não conseguem enxergar nada além da escuridão do mais profundo recanto de seus subconscientes. E foi então que começaram a se mover.

Era como estar em uma colméia de grandes abelhas luminosas, que passavam voando por mim com uma velocidade que nem mesmo a mente mais perspicaz seria capaz de atentar aos detalhes. Elas formavam arcos e círculos dançando e rodopiando à minha volta, sem música alguma para marcar-lhes os passos. E então as muitas luzes, que rodopiavam e dançavam foram parando, foram se juntando e parando, pareciam agora grandes linhas de luz, umas sobre as outras, como um novelo que se desprende e começa a fiar-se sozinho. E talvez fosse exatamente isso que ele estivesse fazendo, fiando. Tudo parecia agora uma grande colcha, uma grande malha sem profundidade alguma, e a luz aumentava cada vez mais de intensidade. Meus olhos se ofuscaram, e então, eu pude ouvir... As ondas do mar.

É estranho como isso tem acontecido... Estranho como eu tenho ouvido esse mesmo som dia após dia, noite após noite. Houve tempos em que eu conseguia ouvir o som do vento balançando as folhas das árvores, em extensas campinas de grama verde e sedosa, onde eu me deitava para contemplar as nuvens. Sim... Houveram tempos assim. Talvez tudo isso tenha um significado, ou não, tento não pensar mais tanto nisso, muitas vezes me dói faze-lo, mas creio que falarei disso depois.

Ahhh, o som do mar, nunca o havia escutado com tanta nitidez, nunca o havia sentido com tanta vibração. A luz me fizera fechar os olhos, mas eu sentia que não havia mais necessidade e mesmo assim apenas ouvia o som das ondas do mar, que quebravam próximas à praia e traziam algo que me aquecia daquele estranho frio solitário. O vento já batia em meu corpo, e deixava nele estranhas marcas que eu nunca pude ver, as areias sob meus pés pareciam um grande tapete de espuma macia e levemente aquecida, tudo ali parecia perfeito, cada sentido era capaz de distinguir a vida ali, cada sentido era capaz de fazer valer por todos os outros. E meus olhos continuavam fechados.

Eu conseguia sentir o calor se espalhando por meu corpo, eu podia até mesmo sentir a maré vermelha se aproximando, e tudo aquilo era bom de mais para que eu deixasse escapar qualquer daquelas sensações. Abri meus olhos com bastante vagareza, para que nada ali pudesse se sobrepujar sobre as outras coisas. O sol estava bem ao fundo, no oeste distante. Era um sol de calor pálido, que, no entanto, era capaz de esquentar mais que meramente o corpo. A água era límpida e suave, as ondas quebravam finas próximas a areia sedosa e fina. Tudo parecia perfeito ali. Pássaros rodeavam um céu limpo e sem nuvens, como se qualquer um conseguisse fazer aquilo, vê-los ali até conseguiu me fazer ter a vontade de sair sobrevoando os mares, e tudo que havia além deles.E então... Eu a vi.

Ela era o esplendor encarnado, posso dizer. Tinha longos cabelos que se agitavam com a brisa, e pareciam dançar e cantar sob o dourado do sol, eles brilhavam como nunca tinha visto qualquer outro brilhar, e quando calmos prostravam-se diante de seu rosto, escondendo-o e criando mil e uma máscaras, que se tornavam maravilhas diante de meus olhos. Seu corpo era esbelto e torneado, uma obra digna das mãos do mais talentoso dos artífices, seu caminhar leve contrastava-se com toda aquela imponência de seus ombros, um misto de selvagem e doce, um ar que atraia cada um dos meus pensamentos. Ela andava por sobre a areia, andava para lugar algum, distante de mim. Eu podia ver todo o horizonte além dela, e Deus do céu, como tudo aquilo era vasto. E ela tinha tudo aquilo na palma de suas mãos... Tudo parou.

Tudo parecia estático, e uma velha sensação tomou conta do meu coração. Eu tentava me prender, ao máximo, não queria sair dali, não agora que ela estava tão próxima de mim, não queria ter de ir, mas era impossível lutar contra. A escuridão foi crescendo novamente, e os sons do mar e as areias sedosas sumiram, tragadas por um rodopiar de cores e formas, que me traziam de volta ao mundo real.

Eram 3 da manhã, no mínimo assim marcava o velho relógio de cabeceira. Ele estava suado, e com a estranha sensação de dormência no corpo. Em sua mão, o aparelho continuava vazio, e cada vez mais, suas esperanças morriam.

2 comentários:

Hobbes disse...

TT_TT

Um dia quero escrever assim...

Ficou muito bom cara! Sempre que escrever um me avise =D

D_Hunter disse...

muito bom mano... manda uma msg d MSN pra mim tbm sermpre q vc escrever