sábado, 7 de novembro de 2009

Rotina... (remake)

Não me perguntem o que deu em mim hoje... Eu não sei.
Rsolvi pegar um texto antigo meu. O primeiro aqui do Blog, e reescrevê-lo.
Enfim... Acho que amadureci minha escrita... Eu gostei mais dessa versão. É mais concisa.

De qualquer modo, ta ae... 

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Quantas horas haviam passado?
Quantas vezes haviam sido daquela mesma forma?
Era mais uma manhã, de um ano qualquer... De uma década qualquer... De um século qualquer... De uma vida qualquer.
Era sempre tudo da mesma forma. O relógio marcava 6:00AM, e tocava sempre pontualmente - uma pontualidade beática, diga-se de passagem -, com o mesmo som irritante todas as manhãs. Era sempre isso. Os azuleijos azuis, a água quente e o vapor "intoxicante" misturado ao cheiro de flores silvestres e lavanda. Sempre os mesmos sabonetes. Sempre o mesmo toque das toalhas felpudas e fofas, um toque suave e gentil, que à seus olhos pareciam o esfolar de uma pedra. O espelho... Sempre a mesma imagem no espelho. E isto era tudo que havia naquela manhã, tudo exatamente como sempre fora.
Os mesmos passos rápidos e "bom dia", as mesmas discussões e falatórios. Ele foi o primeiro a sair de casa, o beijo tornara-se algo quase mecânico, apenas um pouco de sabor no fundo boca e ela se perguntou novamente onde estaria a paixão e o calor dos adolescentes. As crianças se sujavam como sempre, e aquele "tchau" sem vida parecia não fazer a menor diferença para ela, eles eram parte dela, parte de sua vida, de sua história, de suas conquistas e "felicidades". Mas sempre havia espaço para a pergunta... "Até onde conhece seus filhos?".
Eram tantas atividades, sempe tão ocupados com seus afazeres que ela mal via as crianças e quando em casa,haviam se tornado escravos do progresso, entregando suas vidas a computadores e televisões, mas estes, apenas faziam bem o seu trabalho.
O latido do cachorro - que já fora alto e intenso - não passava de um som distânte, profundo, opaco. Já não tinha mais o condão de encomodá-la, afinal de contas, ele sempre latia... Todas as manhãs. Ela sempre ouvia... Todas as manhãs, enquanto todos estavam indo para suas atividades, deixando-a com as dela.
Ela ficou ainda por muito tempo parada na porta de sua casa. Ela podia ouvir a torneira gotejando vagarosa e incessantemente, o apitar da chaleira e lembrava-se que ganhara ela de presente de casamento... Alguma tia distante provavelmente. O som da TV ligada na sala também podia ser ouvido, e ela sabia que os jornais daquela manhã davam todo tipo de notícias sobre barbáries e violência... Era assim todas as manhãs. Então, por um momento ela se lembrou do programa de receitas que tinha por costumo assistir e no momento seguinte, já não se lembrava dele mais.
Tudo aquilo era tão comum. Tão comum, que ela jamais havia se dado conta do que se passava ali. Cada uma das coisas ali estava sempre como ela havia deixado. As flores - de um amarelo morto que ficavam sobre a mesa - tão artificiais quanto qualquer outra coisa dentro daquela casa, os copos e os cristais finamente arrumados e que brilhavam todas as vezes que o sol refletia-se sobre eles. Tudo muito bem organizado, tanto, quanto a sua própria mente. A cortina finamente enlaça, tanto quanto era finamente enlaçado seu penteado.
Tudo aquilo era sempre tão normal...
Tudo aquilo era sempre tão banal...
Ela podia sentir a estranheza. Não haviam mais dias ensolarados e crianças correndo no quintar. Não haviam mais noites frias com chocolate quente e carinho aconchegante. Não havia mais família. Não havia mais casamento. NÃO HAVIA MAIS VIDA!
Tudo estava sempre da mesma forma...
SEMPRE!
Tudo estava SEMPRE na mesma rotina!

PS: O Original é o primeiro texto do blog, se não conhece...

Ta ae

domingo, 25 de outubro de 2009

Viajem...

...

"And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
A hand-me-down dress from who knows where
To all tomorrow's parties
And where will she go, and what shall she do
When midnight comes around
She'll turn once more to Sunday's clown and cry behind the door"

...

Onde estava mesmo?

Qual era mesmo o problema?

Justine dificilmente se lembrava mesmo de quem era, e dificilmente se lembraria de que foi na noite anterior. Seus cabelos pendiam jogados para trás, em uma estranha e desconexa dança embalada por um vento quase inexistente. Justine sentia-se feliz. Era o centro das atenções, e sabia que isso era o que realmente valia à pena. Sentia-se a maior das rainhas, a mais poderosa das santas e a mais perversa das meretrizes. Sentia que poderia chegar a qualquer lugar. Sentia seus cabelos dançarem à valsa leve da brisa.

...

"And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
Why silks and linens of yesterday's gowns
To all tomorrow's parties
And what will she do with Thursday's rags
When Monday comes around
She'll turn once more to Sunday's clown and cry behind the door"

...

Justine.

Ela ouvia seu nome ser chamado. Ouvia seu nome ser clamado. Ouvia cada um de seus súditos delirando com sua performance. Justine, a poderosa. Justina, a Magnífica. Justine, a Deusa. Ela girava e girava... Cada vez mais veloz, e seus cabelos rodopiavam como em um frenesi inumano, algo que sequer podia ser compreendido de tão belo, mas que de tão selvagem prendia cada um dos olhares no salão. Justine sentia-se desejada, sentia-se uma musa que inspirava canções e poemas, sentia-se uma diva de gostos refinados. Sentia os toques atrvidos e os carinhos maliciosos.

Ahhh Justine... - Pensava de sí própria - Ahhhh Justine.

...

"And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
For Thursday's child is Sunday's clown
For whom none will go mourning"

...

Ela perdia-se  em seus devaneios mais promíscuos, em seus sonhos mais carinhosos e desejaveis. Justine era a dona da noite, uma senhora de fortunas e gostos. Todos veneravam Justine. Todos amavam Justine. Todos queriam Justine. Tudo era Justine. Tudo para Justine... Ahhhh Justine. 

Ahhhh Justine...

Ahhhh Justine...

Justine...

Justine...

Jus...

Jus...

E na machete do dia seguinte, estava Justine...

"Garota de 22 anos, filha de proeminente empresário britâncio é encontrada Morta na Sunset com a Goles. Médicos atestam overdose de entorpecentes".

...

"A blackened shroud
A hand-me-down gown
Of rags and silks - a costume
Fit for one who sits and cries
For all tomorrow's parties"

...

....

.....

......

FIM!

-Música: "Velvet Underground - All Tomorrow's Parties"

( http://letras.terra.com.br/velvet-underground/41687/traducao.html )

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Tirando a Poeira...

É... Eu acho que ta mesmo cheio de poeira.
Mais de 3 meses sem uma palavra sequer, sem um cobre buraco... Nada.
Acho que perdi o "tesão" pela escrita, ou talvez apenas não tenha mais sentido a inspiração que já tive outrora. As coisas vêm a mente, mas sempre muito rápido para que meus dedos possam grafá-las. Minha mente trabalha mais rápido que o resto consegue acompanhar. E eu juro... Odeio isso.
Mas já que estou aqui, por que não falar sobre algo?
Não pode ser tão complicado assim.
A vida é engraçada... MUITO engraçada. No mínimo eu acho.
Você tem uma vida tranquila, tem uma vida que muitos invejam e querem para si próprios, tem uma vida que a cada dia se consolida mais. Mas então... Tudo vai por água baixo, sabe-se deus lá por que. Então, você está aqui, sem nada do que tinha, e começa a pensar sobre o que poderia ter sido se nunca houvesse se demitido, se não houvesse fugido, se nunca tivesse traído. E você está à beira de ficar maluco com isso, a beira de um colapso, e parece que nada pode dar certo de novo, tudo parece que vai desmoronar e esmagar você. Você é a pessoa mais miserável do mundo, o pior dos diabos.
Heh... Jà sentiu-se assim? Se já, você sabe (ou não) de uma coisa: "A vida vai melhorando, e tudo vai passando... Um dia, as coisas voltam ao normal."
Tudo sempre volta ao normal.
O mundo para de girar ao contrário, o peso vai embora, a tristeza desaparece, a culpa se torna apenas uma manchinha no passado, que o tempo pode nunca apagar, mas faz questão de deixar para trás. Tudo passa... TUDO!
E uma carta é sempre bem vinda pra mostrar que a vida vai andando e se acertando como dá pra se acertar. E que tudo um dia vai melhorar e voltar "a ser como antes", por que ninguém se exime de ser feliz quando o momento de ser feliz chegar.
"A vida vai melhorando, e tudo vai passando... Um dia, as coisas voltam ao normal."
Tudo passa... TUDO!!
E aqui... Uma carta sobre um futuro que nunca existiu, e um presente que ainda é.
P.S: I LOVE YOU
(Nellie McKay)

Dear, I thought I'd drop a line.
The weather's cool. The folks are fine.
I'm in bed each night at nine.
P.S. I love you.

Yesterday we had some rain,
but all in all I can't complain.
Was it dusty on the train?
P.S. I love you.

Write to the Browns just as soon as you're able.
They came around to call.
I burned a hole in the dining room table.
And let me see, I guess that's all.

Nothin' else for me to say,
and so I'll close. Oh, by the way,
everybody's thinkin' of you.
P.S. I love you.

I do my best to obey all your wishes.
I put a sign up. Think
now I got to buy us a new set of dishes,
or wash the ones that have piled in the sink.

Nothing else to tell you, dear.
Except, each day feels like a year.
Every night I'm dreamin' of you.
P.S. I love you.
P.S. I love you.
Bye!
:*********
PS: Tradução:

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Foco...

Ele reteseou-se novamente enquanto divagava.
Seu olhar perdido em algum ponto no horizonte, parecia buscar algo. Foco.
Essa palavra, girava a cada segundo em sua mente, muito provavelmente longe do próprio sentido. Foco.
Quanto tempo teria ficado focado em algo à ponto de estar em sintonia com aquilo, parte harmônica do todo em que se integrava, se construía. Riu de si mesmo por estar pensando nisso.
Seus olhos se delongaram um pouco mais naquele pontos, as curvas dela tinham um sabor aos olhos que fazia com que prendesse sua atenção, até mesmo, mais do que gostaria. Foco, se lembrou. Resolveu que focaria-se naquilo. Se lembrava com perfeição de detalhes de cada uma daquelas curvas. Podia se lembrar mesmo dos toques, de cada uma das sensações, do respirar... Irritou-se.
Se perguntou mais de uma vez para onde havia ido seu foco, e reteseou os músculos das costas, em um esgar, afim de espantar qualquer pensamento. Mente limpa. Mente vazia. Mas eles ainda vinham em torrentes, inundavam-lhe a visão mesmo de olhos fechados. Irritou-se ainda mais, deixou de olhar. Se concentrou. Foco... Uma folha.
Mente limpa. Mente vazia.
Uma vida inteira - começou -, pensamentos profundos, intrínsecos, que algumas pessoas até mesmo diriam, filosóficos, absurdos, dementes. Um único momento era o suficiente. Tanta pseudo-genialidade apenas o irritava cada vez mais, começou a protestar por ignorância, quando lembrou-se de que não seria ouvido. Queria apreciar aquelas curvas com outros olhos, olhos mortais, sem se lembrar de tantas outras coi... Foco!
Riu novamente.
Os movimentos bruscos ainda eram os mesmos, e tornavam-se vivos, quase uma sequência de obras capitâneas, rubras e escarlate. Eram exatamente assim em sua imaginação, e ele mesmo sem saber, procurava nela um olhar, de soslaio que fosse, para acalentar seu desejo de SER, de TER. Imaginou o quanto era patético. Tentava divagar aquilo que enxergava ao seu redor. Conhecidos, colegas, rostos sem face. Caminhavam até ele, conversavam com ele amenidades, enquanto sua mente passava a deliciar-se em lembranças luxuriantes. Foco. Exatamente.
Divagou um pouco mais longe, e pensou, por um instante, ter visto um olhar de esguelha para si. O formigar na virilha lhe dizia bem onde havia foco, e a cada pulsar de peito fazia com que a idéia lasciva se tornasse ainda mais adorável. Sentiu um vento quente passando, e fechou os olhos por não mais do que um único segundo, sentindo também um toque leve em seu ombro. Espanto. Tentou imaginar o quanto tempo levara aquele único segundo, uma distração milenar, que fizera com que sequer notasse a aproximação. E cada pulsar, ribombava, como tambores antigos. Sentiu o peito apertar-se por um instante, o próprio êxtase do momento, contido em cada célula de seu corpo. Ela olhava-o. E talvez fosse algo corriqueiro, quase comum, mas de forma alguma banal. Sentou-se em seu colo. Normalidade. Os braços envoltos em seu pescoço, os seios levemente pressionados contra seu próprio peito, o mesmo sorriso de tantas outras vezes...
Ele olhou para ela mais uma vez, sem conseguir perceber nenhum olhar de volta, e naquele instante, não existia foco.