sábado, 7 de novembro de 2009

Rotina... (remake)

Não me perguntem o que deu em mim hoje... Eu não sei.
Rsolvi pegar um texto antigo meu. O primeiro aqui do Blog, e reescrevê-lo.
Enfim... Acho que amadureci minha escrita... Eu gostei mais dessa versão. É mais concisa.

De qualquer modo, ta ae... 

*****************************************************************

Quantas horas haviam passado?
Quantas vezes haviam sido daquela mesma forma?
Era mais uma manhã, de um ano qualquer... De uma década qualquer... De um século qualquer... De uma vida qualquer.
Era sempre tudo da mesma forma. O relógio marcava 6:00AM, e tocava sempre pontualmente - uma pontualidade beática, diga-se de passagem -, com o mesmo som irritante todas as manhãs. Era sempre isso. Os azuleijos azuis, a água quente e o vapor "intoxicante" misturado ao cheiro de flores silvestres e lavanda. Sempre os mesmos sabonetes. Sempre o mesmo toque das toalhas felpudas e fofas, um toque suave e gentil, que à seus olhos pareciam o esfolar de uma pedra. O espelho... Sempre a mesma imagem no espelho. E isto era tudo que havia naquela manhã, tudo exatamente como sempre fora.
Os mesmos passos rápidos e "bom dia", as mesmas discussões e falatórios. Ele foi o primeiro a sair de casa, o beijo tornara-se algo quase mecânico, apenas um pouco de sabor no fundo boca e ela se perguntou novamente onde estaria a paixão e o calor dos adolescentes. As crianças se sujavam como sempre, e aquele "tchau" sem vida parecia não fazer a menor diferença para ela, eles eram parte dela, parte de sua vida, de sua história, de suas conquistas e "felicidades". Mas sempre havia espaço para a pergunta... "Até onde conhece seus filhos?".
Eram tantas atividades, sempe tão ocupados com seus afazeres que ela mal via as crianças e quando em casa,haviam se tornado escravos do progresso, entregando suas vidas a computadores e televisões, mas estes, apenas faziam bem o seu trabalho.
O latido do cachorro - que já fora alto e intenso - não passava de um som distânte, profundo, opaco. Já não tinha mais o condão de encomodá-la, afinal de contas, ele sempre latia... Todas as manhãs. Ela sempre ouvia... Todas as manhãs, enquanto todos estavam indo para suas atividades, deixando-a com as dela.
Ela ficou ainda por muito tempo parada na porta de sua casa. Ela podia ouvir a torneira gotejando vagarosa e incessantemente, o apitar da chaleira e lembrava-se que ganhara ela de presente de casamento... Alguma tia distante provavelmente. O som da TV ligada na sala também podia ser ouvido, e ela sabia que os jornais daquela manhã davam todo tipo de notícias sobre barbáries e violência... Era assim todas as manhãs. Então, por um momento ela se lembrou do programa de receitas que tinha por costumo assistir e no momento seguinte, já não se lembrava dele mais.
Tudo aquilo era tão comum. Tão comum, que ela jamais havia se dado conta do que se passava ali. Cada uma das coisas ali estava sempre como ela havia deixado. As flores - de um amarelo morto que ficavam sobre a mesa - tão artificiais quanto qualquer outra coisa dentro daquela casa, os copos e os cristais finamente arrumados e que brilhavam todas as vezes que o sol refletia-se sobre eles. Tudo muito bem organizado, tanto, quanto a sua própria mente. A cortina finamente enlaça, tanto quanto era finamente enlaçado seu penteado.
Tudo aquilo era sempre tão normal...
Tudo aquilo era sempre tão banal...
Ela podia sentir a estranheza. Não haviam mais dias ensolarados e crianças correndo no quintar. Não haviam mais noites frias com chocolate quente e carinho aconchegante. Não havia mais família. Não havia mais casamento. NÃO HAVIA MAIS VIDA!
Tudo estava sempre da mesma forma...
SEMPRE!
Tudo estava SEMPRE na mesma rotina!

PS: O Original é o primeiro texto do blog, se não conhece...

Ta ae